IA pode exigir que 11 milhões de trabalhadores troquem de profissão até 2035 – será que seu cargo corre muito risco?

Relatório da McKinsey estima que mudanças no mercado de trabalho dos Estados Unidos exigiriam 770 mil transições entre grupos profissionais por ano – 3,6 vezes a média histórica

Cerca de 11 milhões de trabalhadores nos Estados Unidos podem precisar mudar de profissão até 2035 diante do avanço da automação. A estimativa faz parte de um novo relatório do McKinsey Global Institute, publicado nesta terça-feira (29), que analisa como inteligência artificial, automação e outras mudanças estruturais podem reorganizar o mercado de trabalho americano na próxima década. 

No cenário traçado pela consultoria, a adoção da automação poderia reduzir a demanda por trabalho no equivalente a cerca de 36 milhões de empregos. Para aproximadamente 25 milhões desses trabalhadores, porém, o crescimento da demanda dentro das próprias ocupações poderia compensar esse efeito, permitindo que continuassem na mesma profissão, ainda que seus empregos mudassem. Os 11 milhões restantes poderiam precisar migrar para outras ocupações.

Isso não significa que os Estados Unidos perderão 11 milhões de empregos. A própria McKinsey projeta que a economia americana pode ter mais vagas em 2035 do que atualmente. No cenário, enquanto a automação poderia reduzir a demanda de trabalho no equivalente a 36 milhões de postos, o crescimento da cadeia de valor da IA e da economia em geral poderia gerar demanda por mais de 40 milhões de empregos ao longo da próxima década. 

O desafio, segundo o estudo, está na transição entre profissões. Para acomodar a mudança projetada, cerca de 770 mil trabalhadores teriam de migrar entre grupos ocupacionais a cada ano – ritmo 3,6 vezes superior à média histórica de aproximadamente 215 mil transições anuais. Durante o período da pandemia, entre 2019 e 2022, esse número chegou a cerca de 788 mil por ano, mas a McKinsey destaca que, desta vez, um ritmo semelhante teria de ser sustentado durante uma década. 

A pressão também não seria distribuída igualmente pelo mercado de trabalho. Mais de 75% dos trabalhadores que podem precisar mudar de profissão estão concentrados em apenas três dos 22 grupos ocupacionais analisados: funções administrativas e de escritório, varejo e vendas e transporte e logística. 

As profissões a seguir, segundo o relatório, são as que mais correm risco de demandar transição – dado que, juntos, representam um terço das projeções: 

  • Representantes de atendimento ao cliente

  • Vendedores do varejo

  • Assistentes de escritório

  • Caixas

Ao mesmo tempo, áreas como saúde e construção estão entre aquelas em que a McKinsey projeta crescimento. Mais de um terço das vagas que devem surgir em ocupações em expansão está concentrado em quatro grupos: suporte à saúde, profissionais de saúde, construção e gestão. 

O problema é que mudar de uma profissão em declínio para outra em expansão pode exigir novas habilidades e qualificações. Segundo o relatório, apenas um em cada sete trabalhadores que precisam trocar de ocupação teria um caminho direto para uma nova função, com pouco treinamento adicional e sem perda salarial.

Por fim, quatro em cada dez enfrentariam uma transição que exigiria requalificação significativa, enquanto quase metade teria pela frente lacunas maiores de habilidades, exigências de credenciais ou outras barreiras.

Fonte: Época Negócios (https://epocanegocios.globo.com/futuro-do-trabalho/noticia/2026/09/ia-pode-exigir-que-11-milhoes-de-trabalhadores-troquem-de-profissao-ate-2035-sera-que-seu-cargo-corre-muito-risco.ghtml)